Tecnologias de acesso por satélite nas escolas brasileiras

Distribuição, desempenho e desigualdades

Centro de Estudos e Pesquisa em Tecnologia de Redes e Operações - Medições

Philipp Kleer

17 de dezembro de 2025

Contexto da análise

Conectividade nas escolas: iniciativa coordenada pelo CIEB e pelo NIC.br com o objetivo de reunir dados por medidor SIMET e referenciais técnicos que subsidiem a formulação de políticas públicas de conectividade na educação

- 137.847 escolas conectadas: 63,3% das escolas brasileiras urbanas e 36,7% das escolas brasileiras rurais

A conectividade escolar é essencial para diferentes atividades pedagógicas, incluindo:

  • acesso a plataformas educacionais online e streaming de vídeo educacional e materiais multimídia
  • aulas ao vivo, videoconferências, download de recursos pedagógicos
  • ferramentas colaborativas e aplicações interativas em tempo real
  • uso simultâneo da rede por múltiplas turmas (equidade de acesso)

foco da análise na velocidade de download e latência (bidirecional)

O que esta análise pode contar

  • compreender melhor a conectividade das escolas, especialmente nas escolas conectadas por satélite

  • diagnóstico de desempenho (velocidade/latência)

  • mapeamento das desigualdades entre regiões

  • atividades impõem requisitos técnicos mínimos à conexão das escolas:

Conexões diferentes

múltiplas tecnologias de conexão no Brasil: fibra, DSL, rádio, cabo, FWA ou satélite

as conexões via satélite são as com mais dúvidas em relação da qualidade de conexão

dois tipos de satélite: órbita alta (GEO) e órbita baixa (LEO)

diferença das conexão via satélite: altura e com isso a distância à superfície (influencia a latência)

Como obter os dados

dados do medidor SIMET em sua versão adaptada para o projeto da educação (conectividade na educação) nos últimos 6 meses (03/06/2025 até 02/12/2025)

identificação de conexão: a) lista de conexões satélite pelo MEC e b) autodeclaração das escolas

filtro de conexões IPv4, perda de pacotes com 0% e valores válidos nas medições de qualidade (velocidade, latência, jitter)

evitar medições extremas e foi tirado 5% das medições altas da cada escola (cf. Millan et al., 2025)

1.466 escolas nas cinco regiões do Brasil com 126 medições por escola na média (min: 10, max: 4.149)

Velocidade de download

  • GEO (alta órbita) mais lento do que LEO (baixa órbita)
  • conexões via satélite GEO são muito mais homogêneas, enquanto as conexões LEO são muito mais heterogêneas
  • a mediana da velocidade de LEO é 2,5 vezes mais alta do que de GEO
  • há picos diferentes em cada tecnologia:
    • GEO: 4,1 Mbps, 19,0 Mbps, 38,4 Mbps
    • LEO: 18,7 Mbps, 77,8 Mbps

Baixa velocidade

Conexões via GEO e LEO das escolas com todas medições < 20 Mbps

Visão regional de download

Conexão GEO (alta órbita):

  • diferenças entre as regiões

  • menor do que 20 Mbps é mais alta no Nordeste

Conexão LEO (baixa órbita):

  • entre as regiões, mas a mediana fica mais alta do que para GEO

  • menor do que 20 Mbps é mais alta no Nordeste e Centro-Oeste e também no Norte

Latência (RTT)

  • diferença de latência visível devido à física da conexão

  • mas existem medições com alta latência

  • a maioria das conexões com valores extremos são nas regiões Norte e Nordeste

  • latência teórica: distância para satélite + distância para servidor de medição

  • Divergência Relativa da Limite Físico (DRLF): Quantas vezes o mínimo físico é adicionado como sobrecarga?

  • Divergência Relativa da Limite Físico (DRLF): \(\text{DRLF} = \frac{\text{latência} _{\text{medida}} - \text{latência}_{\text{teórica}}}{\text{latência}_{\text{teórica}}}\)

Visão regional de latência (RTT)

Conexões GEO (alta órbita)

  • no Norte, Nordeste e Sudeste a distribuição da latência é mais larga
  • a frequência de alta latência ocorreu em todas regiões exceto no Centro-Oeste
  • mas ainda existem diferenças entre os estados na mesma região

Conexões LEO (baixa órbita)

  • no Norte e Nordeste a distribuição é multi-modal
  • a frequência de alta latência é destacada somente no Norte
  • mas ainda existem diferenças entre os estados na mesma região

O que esta análise conta

download capacidade de GEO é menor do que de LEO

  • ainda há diferenças que indicaram um acesso mais lento para as regiões Norte e Nordeste

  • dentro das regiões existem diferenças que indicaram diferenças no desempenho entre os estados

    • conexões via GEO mais lentas (<= 20 Mbps) em Amazonas, Tocantins, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco
    • conexões via LEO mais lentas (<= 20 Mbps) em Paraíba, Alagoas e Goiás

a latência, para as duas conexões via satélite, fica mais alta do que o limite teórico

  • GEO: nas todas regiões exceto Centro-Oeste a porcentagem das medições altas (>650ms) é >= 18%
  • LEO: a alta latência (>75ms) é somente destacada no Norte (~35%)

References

Decreto: Institui a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas. BrasíliaBrasil; Presidência da República, 26 set. 2023. Disponível em: <https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2023/decreto/D11713.htm>. Acesso em: 29 abr. 2024
MILLAN, Cristiane Honora et al. Desenvolvimento de critério de avaliação da velocidade de internet medida nas escolas. Medidor Educação Conectada (tecnologia SIMET). [S.l.]: Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR – NIC.br, 2025.
Resolução CENEC: Estabelece os parâmetros de conectividade para fins pedagógicos nos estabelecimentos de ensino da rede pública de educação básica. Brasil; Comissão Especial de Educação Conectada, 22 fev. 2024. Disponível em: <https://www.in.gov.br/web/dou/-/resolucao-cenec-n-2-de-22-de-fevereiro-de-2024-546279176>. Acesso em: 29 abr. 2024

Visão regional : satélite GEO

Norte

  • máximo local mais baixa é o mais destacada nos estados Acre e Amazonas

  • entre os sistemas autônomos existe um a diferença no desempenho

Nordeste

  • máximo local mais baixa é o mais destacada nos estados Alagoas, Maranhão e Bahia

  • a diferença dos sistemas autônomos intra-estadual não é tão destacada

Visão regional : satélite LEO

Norte

  • mediana mais alta em Tocantins, mas também a distribuição é mais larga e não há muitas medições
  • existem diferenças entre os estados em relação de velocidade de download grande

Nordeste

  • existem diferenças entre os estados em relação de velocidade de download grande
  • menor velocidade em Maranhão, Pernambuco e Paraíba

Centro-Oeste

  • existem diferenças entre os estados em relação de velocidade de download grande
  • em Goiás somente tem poucas medições com uma mediana mais baixa

Latência: Foco regional

Conexões GEO

Norte

  • dois sistemas autônomos que alcançaram somente uma latência alta

Nordeste

  • um sistema autônomo que alcançaram somente latência alta

Sudeste

  • um sistema autônomo que alcançaram somente latência alta

Latência: Foco regional

Conexões LEO

Norte

  • poucas medições em Tocantins e Rondônia
  • a latência é mais alta em Acre, Roraima e Amazonas

Nordeste

  • poucas medições em Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí e Maranhão
  • a latência é mais alta em Pernambuco, o duplo das outras

Regra do MEC

Regra do MEC: 1 Mbps para cada aluno na turma maior

  • nenhuma escola (\(<=15\) Mbps) cumpriu essa regra

  • \(\bar{x}\): 180,12Mbps [13,21Mbps, 899,31Mbps]